Eu sou a fusão do bem e do mal, do certo e do errado, do sentimento e da razão, da posse e do poder.
Sou aquela que pensa com o coração, fala com o olhar, sente com a alma e derrete-se em palavras, pois as lágrimas já se esgotaram.

Sou aquela que nasci, vivi, morri e renasci, quantas vezes? Já não sei…
Ao longo dos séculos viajo de vida em vida em busca de algo que talvez nem exista.
Não sou capaz de falar das outras vidas, pois nada foi guardado. Só me resta falar do hoje, do ontem e talvez do amanhã.

Falo o que penso, sinto o que ouço e assimilo o que vejo. Possuo os mesmo sentidos, porém posso multiplica-los.
Muito já me foi tirado, talvez como punição, mas trouxe-me aprendizado.

Sou aquela que pula sem medo, chora sem vergonha, sente sem arrependimento e talvez mate sem culpa.
Guardo bondade em meu coração destinado a certa causa, jogo meus sonhos a sete ventos, vivo o amor de tantas formas, mas sou amada de uma forma única.

Sou aquela que ri e chora ao mesmo tempo, que te ama, mas posso te odiar em questão de segundos, sou o amor, mas posso ser a ira, pareço um anjo, mas posso ser a bruxa.

Não sou jovem, mas estou longe de ser velha, sou apenas experiente, surrada, marcada e morta pela vida.
A mesma vida que me matou, me reviveu e fez de mim quem hoje eu sou.

Prazer, eu sou a Fênix.

“Quantas vezes a vida me matar, minha alma me ressuscitará até o fim dos tempos.”

A História da Fênix

A Fênix surgiu no Egito antigo, milhares de anos antes de Cristo, representando a imortalidade e os ciclos da natureza. Segundo o mito, quando a Fênix sentia que ia morrer, ela montava um ninho com incenso e outras ervas aromáticas para ser incinerada pelos raios do Sol. De suas cinzas, nasceria uma nova ave. Assim que se sentia forte, a nova fênix embalava as cinzas de onde surgiu em um ovo de mirra e o transportava para o templo do deus Rá, na cidade de Heliópolis. “Para os egípcios, a fênix também representava a alma de Rá, o deus Sol”, afirma o historiador Norberto Luiz Guarinello, da USP. Segundo a mitologia, essa ave poderia viver mais de mil anos e durante todo esse período só existiria uma única fênix, por isso ela também simbolizava grandes ciclos da natureza – como os astronômicos. Sua aparência seria semelhante à de uma cegonha de plumas douradas e vermelhas. O mito também foi incorporado por outras culturas, como a greco-romana.

Os romanos viam na ave uma metáfora para o caráter imortal e intocável do Império Romano e chegaram a estampá-la em algumas de suas moedas. Com o surgimento do cristianismo, a fênix passou a representar a ideia de ressurreição e de vida após a morte.

Fonte: Abril