Abro os olhos e ele ressurge, o medo. Medo do que? Medo de quem? Medo de tudo! Medo de todos!
O peito aperta, a mente se perde em pensamentos sombrios. Um grito angustiado e estridente parece aliviar, mas ninguém me ouve.
O frio sobe-me a espinha causando arrepios, meu sangue está gelado, o ar me falta. A fraqueza toma conta do meu corpo cansado e minha mente confusa.
Meus olhos alertas em busca de uma saída, avistam a navalha na pia.

E num ato de fraqueza ou de desespero para cessar essa loucura, eu corto.
O sangue vermelho cereja escorre e mancha minha roupa branca, estirada no chão a lâmina reflete meu rosto pálido e envelhecido, consumido pela loucura, pelo medo.

Finalmente meu desespero diminui, o coração aos poucos desacelera, os músculos rígidos pela tensão começam a relaxar.
Minha última visão é meu corpo desfalecendo em meio ao sangue no chão da cozinha.

Eu morri, mas será que finalmente acabou? Aonde estavam meus medos?
Habitavam minha mente ou estavam presos em minha alma?

fenix-f