Novamente, vejo-me naquela multidão. Sinto-me nua, vulnerável, desprotegida, sinto-me só.
Está dia, mas para mim está escuro como a noite. O silêncio toma conta e o vazio vai aumentando.
Tudo o que quero é sumir, mas minha presença torna-se cada vez mais evidente. Eu grito, mas minha voz se cala, tento fugir, mas não enxergo a saída, peço socorro, mas ninguém me vê.

É a presença dele que desencadeia esses acontecimentos, meu peito dói e não consigo respirar. A aflição aumenta, meus batimentos cardíacos elevam-se, sinto-me fria mesmo sabendo que é verão.
Quem me dera morresse, mas essa dádiva não me foi concedida.

E naquelas mãos imundas e grotescas estou novamente, minha pele não sente, mas minha alma padece. Minhas lágrimas secaram, mas meu coração sangra. Sangue que corrói minhas entranhas.
Após os intermináveis minutos, a noite torna-se dia novamente, agora as pessoas estão a minha volta, mas elas ainda não se importam. E a última coisa que ouço, é seu sorriso me dizendo que logo voltará.

Meu corpo está frio, quase não sinto meu coração. Ainda estou viva, apenas visitei o inferno, fui possuída pelo demônio e devolvida a Terra.
Não há consolo, não há piedade, não há esperança. Pois sei que amanhã ele irá voltar.

fenix-f